Syracuse, NY - EUA - Relatório 28

NEVE

Com o inverno chegando, já não se vê flor nenhuma nesse lugar, e todas as cores que me encantaram no outono estão começando a apodrecer no chão.
Pensei que odiaria o inverno por isso... Todas as árvores com aparência de mortas, sem folhas, e a grama congelada no chão.
Quando acordei uma manhã e percebi que a água que se condensara à noite congelara sobre a grama e os carros, não achei uma visão nada bonita. E comecei a me indagar se o inverno seria mesmo tão feio quanto isso. O dia escurecendo na metade da tarde, um frio de doer os ossos, e todas as cores se esvaindo.
Já estava cansada de ver a previsão do tempo todos os dias, e ver que marcava neve para várias noites. Quando elas chegavam, passava boa parte do tempo olhando pra janela, e nada de ver aquela coisa branca cair... ao invés disso, via só chuva. Já estava então pensando que a neve era lenda.
Então, na manhã de quinta-feira, dia 7 de novembro, finalmente o tão esperado momento chegou...
Acordei, olhei pela janela, e vi que o dia estava escuro ainda. Troquei de roupa. Botei uma legging e uma calça, uma blusa de frio quentinha, e o meu casaco de pena de ganso por fora.
Peguei minha mochila, e desci as escadas do meu prédio para ir pro Goldstein tomar meu café. Quando coloquei minhas mãos na porta de entrada do prédio, e olhei pelo vidro, fiquei surpresa com a paisagem lá fora. 
Uma coisa linda, branquinha, caindo de leve. E aquilo com certeza não era chuva.
A primeira coisa que pensei foi: Ai, minha família ia ficar tão surpresa se visse isso. Queria ver a cara do meu irmão aqui comigo. Queria que fôssemos crianças ainda, e que em breve teríamos a oportunidade de brincar de guerra com bolas de neve.
Estiquei minhas mãos para sentir aquela coisa gelada na minha pele, e me senti tão feliz. Foi um sonho se realizando. Creio que todos os brasileiros sonham em ver essa coisinha branca um dia.
Quando olhei pra entrada do outro prédio, vi que outras brasileiras tinham acabado de sair de casa, e estavam paradas, só admirando e tirando fotos.




Foi engraçado pensar quão bobos estávamos parecendo, indo tomar café com um sorriso de orelha a orelha.
Passei o café todo olhando pela janela, e desejando que não parasse de nevar, pois não sabia quando veria esse evento de novo.
Pegamos o ônibus, e fomos para o Main Campus. Nem posso descrever quão felizes ficamos ao perceber que a neve não tinha parado, e pelo contrário, estava ficando mais grossa.
Nem precisei parecer uma boba fazendo o que meu professor brasileiro aqui nos recomendou. Erguer a cabeça e botar a língua pra fora pra sentir o gosto da neve. Bastava tentar falar, e um monte de gelinhos ia entrando na minha boca.
É claro que demoramos mais que o de costume no caminho entre o ponto de ônibus e o ELI, e mesmo na sala de aula, passava boa parte do tempo tentando olhar pela janela, mas não nevou mais durante esse dia.














Agora estou aguardando ansiosamente pela próxima terça-feira, que promete neve de manhã, e uma superfície escorregadia no chão.

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