Syracuse, NY - EUA - Relatório 25

Culturas

10:30h da noite de uma quinta-feira e eu aqui em casa olhando o tempo todo pela janela, esperando pela neve... A previsão do tempo prometia neve pra ontem, hoje e amanhã, mas até agora eu só vi uma chuva rala.
Mas não foi por isso que decidi escrever hoje, mas para contar coisas interessantíssimas que descobri por meio de conversas com estudantes internacionais. Uma das vantagens de morar nos Estados Unidos é que vc encontra gente de todos os lugares do mundo, porque vem muita gente pra ca como imigrante ou estudante. E estou tentando fazer amizade com pessoas de outras culturas porque às vezes me sinto muito sozinha aqui.
Hoje foi um dia de descobertas, então vou separá-las por países a respeito dos quais descobri um monte de curiosidades.


1° - Estados Unidos

Já falei muito a respeito daqui, mas hoje um professor de português contou uma coisa durante um debate em aula que me deixou profundamente impressionada.
Estávamos discutindo sobre o quanto as drogas podem causar maus efeitos sobre as pessoas, e ele nos contou que existe uma espécie de droga nova chamada Bath Salt. Ela é conhecida por provocar um efeito zumbi, e não sei se já existe no Brasil. E também nunca ouvi falar de algo tão ruim.
O professor relatou que um policial encontrou um jovem sob influência dessa droga algum tempo atrás numa rua dos EUA, e que ao se aproximar, ele viu que o cara estava comendo o rosto do amigo dele. O efeito alucinante foi tão forte que o homem matou o próprio amigo e estava comendo a cara dele. Não consigo nem imaginar o que seria isso. Parece história possível só em filme de terror.
Quando o policial se aproximou, o cara levantou e começou a caminhar na direção dele com as mãos erguidas como um zumbi, e o policial deu 5 tiros nele, e o cara continuou andando em sua direção. A droga tem um efeito impressionante sobre o coração. Não sei exatamente o que ela causa, mas o coração do cara foi capaz de resistir a 5 tiros enquanto ele ainda estava sob efeito da droga. E ele só morreu quando o efeito cessou.
É difícil de acreditar, mas essa é uma notícia que nos deixa ainda mais preocupados com a segurança.

2° - Arábia Saudita

Hoje fiquei estudando à tarde na faculdade e tive uma conversa super interessante com um árabe da minha turma.
Ele e um brasileiro estavam tentando escrever uma redação sobre como arrumar um casamento, mas era um tema muito estranho para a cultura árabe.
O árabe não conseguia entender como os relacionamentos no Brasil, nos EUA e na maioria dos países acontece. Na cultura deles, geralmente os pais escolhem uma noiva ou um noivo (geralmente da mesma classe social ou mais alta), eles casam e só depois se conhecem de verdade.
Ele disse que nas escolas homens e mulheres nunca ficam juntos. Se vão ao shopping, ou viajam vão separados, e se um segurança vir um homem conversando com uma mulher na rua, isso pode ser um problema muito sério.
Ele disse que uma das poucas formas de ter uma conversa com uma menina sem ser visto pela família ou um segurança seria num shopping, por exemplo. E que pra ele estava sendo estranho fazer amizades com mulheres aqui.
Bom, a brasileira estava tentando explicar pra ele que muitas vezes um relacionamento começa com uma amizade entre um casal, e um deles se apaixona. Então, muitas vezes acontece de um beijar o outro e ser correspondido. E então, se os dois perceberem que estão apaixonados começa o namoro. E também podem acontecer os casos de "Friends with benefits", quando dois amigos começam a se relacionar como namorados sem assumir compromisso, só para suprir algumas carências.
E eu contei que outra coisa muito comum é conhecer um cara numa festa, beijá-lo e ficar por isso mesmo. Ou encontrar mais algumas vezes e depois terminar, por exemplo.
Mas ele não conseguia de forma alguma compreender como esse tipo de relação é possível.
Eu realmente comecei a achar muito engraçada a situação, e fiquei imaginando o que aconteceria se um deles fosse numa festa e "ficasse" com uma menina. Se continuariam pensando do mesmo jeito, ou se sentiriam vontade de migrar para um país "free". Não que a Arábia não tenha as suas liberdades, mas são bem diferentes das nossas.
Ele então começou a contar sobre como são as famílias lá (claro que das altas classes, porque se ele não pertencesse a uma, não estaria estudando aqui).
Fiquei impressionada quando um colega contou que eles geralmente têm casas de 4 andares, com um pátio interno. Claro que os árabes constituem grandes famílias, mas fico imaginando quão rico deve ser um homem para possuir duas esposas, duas casas e sustentar uns 15 filhos.
Porque teoricamente o homem que casa com mais de uma mulher, tem que sustentar todas e tratar os filhos igualmente.
Ele me disse que sua mãe trabalha e ganha 20000 dólares por mês. E que seu pai ainda é obrigado a dar a ela mais 5000 dólares. Isso tudo pra ela gastar praticamente só com shopping, pois é o marido que paga as contas, o supermercado e tudo mais... eles devem ganhar rios de dinheiro.
E o sistema de transporte público no país é muito ruim. Então todo mundo compra um carro, ou paga motoristas para dirigirem por eles.
A família desse menino, por exemplo, tem dois motoristas particulares. Um para levar as crianças para a escola, e outro para as demais tarefas. Os homens geralmente possuem seus próprios carros.
Fico imaginando como deve ser o trânsito lá. E que essa coisa dos motoristas é uma forma de controlar para onde as mulheres vão.
Enfim, culturas diferentes são sempre muito interessantes, mas acho que não gostaria de pertencer a nenhuma delas.

3° - China

Hoje eu parei para conversar também com duas chinesas, e apesar de ser bem lógico, fiquei impressionada com umas coisas que ouvi.
A população da China vem crescendo muito rápido, e eu já tinha ouvido falar que cada família só pode ter uma criança. Se tiverem mais de uma, têm que pagar uma taxa para o governo. Os abortos são legais na China.
Outra coisa diferente é que como a população é muito numerosa, não existe emprego para todo mundo, e muito menos educação. Não existem universidades públicas. Só quem tem muito dinheiro consegue pagar para os filhos terem um curso superior.
A cada dia me surpreendo mais com as pessoas que me cercam. São de classes sociais muito diferentes da minha, e às vezes me sinto uma estranha aqui.
Tipo, estou estudando com um cara do Haiti, conhecido por ser um país muito pobre. Quando falei com ele sobre pobreza no Haiti, se grande parte da população vivia em condições ruins, ele disse que sim. Mas foi logo dizendo "Mas eu estou no topo da hierarquia". Estranho ver a conexão entre todas essas coisas... ele tinha dito em outra aula que tinha muitos parentes envolvidos com política. Aí já da para ter uma base de quem detém a maior parte do dinheiro no país.
Claro que não devo me esquecer que o Brasil tem mil problemas, talvez até mais que muitos países, mas não deixo de ficar curiosa com essas coisas.
Outra história que me deixou surpresa a respeito da China é que sites como o facebook são proibidos para os chineses. E eles tampouco podem usar o Google. Não entendi ainda por que, mas vejo como a ideia de liberdade é tão diferente em cada lugar do mundo.

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